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Professora do curso de Arquitetura e Urbanismo apresenta um curta-metragem e um estudo no III Festival do Cerrado

O evento aconteceu na UEG Campus Cora Coralina entre os dias 10 e 12 de setembro

O III Festival do Cerrado: Mulheres e Povos Tradicionais do Cerrado – Guardiões da Sociobiodiversidade ocorreu entre os dias 10 e 12 de setembro na Universidade Estadual de Goiás (UEG), Campus Cora Coralina. O evento buscou a materialização da integração entre o conhecimento acadêmico dos programas organizadores (PPG TECCER, PPGEO e PROMEP) e a preservação socioambiental por meio do resgate de saberes tradicionais, reforçando o papel crucial das mulheres e comunidades locais como guardiãs do bioma.

A programação contou com a presença da Profa. Dra. Luciana Helena Alves da Silva, do curso de Arquitetura e Urbanismo, que apresentou o curta-metragem "Documentário De Quintal - Curandeiras: Vivências e Resistência No Cerrado Goiano".

O projeto buscou o alinhamento temático e a criação de espaços de diálogo sobre o protagonismo feminino e tradicional, exemplificado pela trajetória das integrantes do coletivo "Mulheres Aroeira" (Dona Maria Luiza, Neuzi e Luciana Helena) na Cidade de Goiás e no distrito de Buenolândia. Além disso, a obra evidencia a interseção entre o conhecimento científico e o popular ao integrar o universo das raizeiras, benzedeiras e curandeiras, demonstrando como a transmissão intergeracional dos cuidados de saúde natural e o uso de plantas medicinais funcionam como instrumentos de resistência comunitária.

Nesse contexto, o debate proposto pelo evento dialogou diretamente com o impacto socioambiental e os desafios contemporâneos vivenciados pelo bioma, incluindo a degradação ambiental, a urbanização acelerada em áreas rurais e as pressões sociais do machismo. Essa conexão entre a prática de cura tradicional e a proteção da terra reafirma que a preservação da biodiversidade do Cerrado é indissociável da conservação do patrimônio cultural e da memória histórica dessas comunidades.

Por fim, a utilização do formato audiovisual "documentário de quintal" como plataforma de compartilhamento permitiu traduzir o cotidiano e a sororidade do coletivo, articulando autonomia feminina, soberania alimentar e sanitária, além do registro direto das vivências com o território.

O segundo trabalho apresentado pela docente foi “Inclusão linguística e pertencimento: a presença Xavante no Restaurante Universitário da UFG Campus Cidade de Goiás”. A pesquisa ressalta que o Cerrado, segundo maior bioma da América Latina, destaca-se não apenas por sua singular biodiversidade, mas também pela vasta sociodiversidade composta por povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. Historicamente marginalizados nas dinâmicas de desenvolvimento econômico e nas estruturas institucionais, esses grupos desempenham um papel fundamental como guardiões dos recursos naturais e da memória territorial. Diante desse cenário, a integração entre o conhecimento acadêmico e os saberes tradicionais emerge como um caminho indispensável para a construção de políticas públicas e práticas inclusivas sustentáveis.

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