Docente do curso de Administração do Campus Cidade Goiás publica artigo no periódico internacional Local Government Studies
Publicado nesta sexta-feira, 9 de outubro de 2026, estudo analisa como fatores sociodemográficos e o sentimento de pertencimento à comunidade influenciam a participação política direta dos cidadãos no âmbito municipal.
O professor Dr. Luan Vinicius Bernardelli, docente da Unidade de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Federal de Goiás no Campus Cidade de Goiás, publicou o artigo intitulado "Who speaks up? Voice and community belonging in Australian local government" na revista internacional Local Government Studies ("Quem se manifesta? Voz e pertencimento comunitário no governo local australiano"). O trabalho foi elaborado em colaboração com os pesquisadores Dr. Michael Alexander Kortt, da Khalifa University, e Dr. Joseph Drew, da University of New England. A pesquisa investiga o perfil dos cidadãos que exercem a manifestação política direta junto ao governo local, definida pelo contato direto com vereadores ou representantes políticos para expressar preocupações, analisando como essa participação se articula com características individuais, socioeconômicas e o sentimento de pertencimento comunitário.
A Local Government Studies é um periódico internacional especializado em política, gestão e governança local, classificado no estrato A1, o mais elevado do Qualis/CAPES, no quadriênio 2021–2024. A revista também integra o primeiro quartil (Q1) do CiteScore/Scopus em sua melhor categoria de avaliação, conforme os indicadores de 2025, reforçando a relevância internacional da publicação.
Para fundamentar a análise, os autores utilizaram o arcabouço teórico de Exit, Voice, and Loyalty (Saída, Voz e Lealdade) proposto por Albert Hirschman, adotando a satisfação do indivíduo em se sentir parte de sua comunidade local como uma representação empírica da dimensão de lealdade. A investigação empírica baseou-se em dados nacionalmente representativos da Austrália, provenientes da pesquisa Household, Income and Labour Dynamics in Australia (HILDA), englobando 65.336 observações distribuídas em cinco ondas temporais realizadas entre 2006 e 2022. Com o emprego de regressões lineares e logísticas, os pesquisadores avaliaram tanto a frequência quanto a probabilidade de os cidadãos se engajarem em contatos políticos diretos.
Os resultados apontam que cerca de 31% dos entrevistados relataram ter entrado em contato com representantes locais ao menos uma vez no ano anterior, o que caracteriza um engajamento ocasional, enquanto a participação frequente ou contínua revelou-se bastante rara, representando apenas 1% da população. O estudo constatou que níveis mais elevados de escolaridade, idade mais avançada, situação de desemprego e um maior sentimento de pertencimento comunitário possuem associação positiva e estatisticamente significativa com a manifestação política direta. Em contrapartida, mulheres, pessoas nascidas no exterior, residentes em cidades de grande porte e indivíduos com maior renda familiar apresentaram menor probabilidade de entrar em contato com gestores e políticos locais. Notou-se ainda um declínio geral no engajamento ocasional ao longo do tempo, com queda expressiva em 2022 no período marcado pela pandemia de COVID-19, embora a participação frequente tenha mantido estabilidade.
Diante desses achados, a pesquisa conclui que a voz política no nível local não é distribuída de forma homogênea na sociedade, apresentando um caráter socialmente seletivo. Uma vez que diversas iniciativas de governança municipal buscam ouvir a população para embasar a tomada de decisões, os autores enfatizam que os gestores públicos devem interpretar as manifestações recebidas como um sinal relevante, porém parcial. O trabalho sugere que as administrações públicas desenvolvam estratégias ativas para reduzir barreiras de acesso e incluir grupos historicamente sub-representados no debate local.
Serviço:
Artigo disponível em: Who speaks up? Voice and community belonging in Australian local government
